É fácil ter a impressão que só existe viticultura orgânica e biodinâmica fora de práticas convencionais, mas outros métodos estão desenvolvidos.

Na Austrália, várias vinícolas optaram em só usar algumas partes dos métodos biodinâmicos e não se interessaram em ter um certificado. A ideia é usar algumas práticas biodinâmicas que se adaptam melhor as condições particulares, combinando com outros métodos. Um desses métodos é um conceito chamado microbial, desenvolvido pelo ‘Environmental Research and Information Consortium’ (ERIC), usado às vezes em combinação e às vezes sem combinação de práticas biodinâmicas. Esse uso de micro-organismos e bactérias naturais não faz parte da escola padrão de biodinâmica, mas pode dar resultados significativos.

Johnathan com uma amostra do solo da vinha.

Johnathan Grieve, em Paarl, África do Sul, desenvolveu uma interessante alternativa completa, em vez de viticultura biodinâmica. Johnathan chama seu método Bio-Logic, porque ele sente que é um método lógico para obter equilíbrio nas vinhas. O método Bio-logic tem muitas semelhanças com o método biodinâmico, mas não é exatamente a mesma coisa. Ambos os métodos produzem uvas orgânicas, mas vão mais além na tentativa de obter um equilíbrio no ecossistema. Johnathan tem combinado diferentes partes de métodos orgânicos e biodinâmicos com a ciência moderna para chegar a sua própria abordagem. O sistema de balanceamento de solo de Albrecht é colocado em prática. Avaliando o estado de cada solo, Dr Albrecht – um cientista americano que pesquisou a saúde no solo – mostrou que é possível equilibrar o solo usando minerais das fontes naturais, como poeira da pedra ou alga do fundo do mar. Dessa maneira, dependendo das circunstâncias de cada caso, o solo pode ser equilibrado com uso de cálcio, magnésio, potássio, sódio e outros nutrientes.

A ideia em geral de Johnathan é trabalhar com a natureza para promover a vida no ecossistema e para tentar devolvê-lo para o estado que teria sido séculos atrás. Olhando em um vinhedo bio-lógico, parece um pouco selvagem com muitas plantas nativas estimuladas a crescer. A ideia é usar as plantas para ligar nitrogênio ao solo. Isso é feito com bactéria que está presente no solo ou na água e criam colônias nos nódulos que eles criam nas raízes.

Diferente da viticultura orgânica e biodinâmica, no método bio-lógico nenhum tipo de adubo ou compostagem é utilizado. As plantas nativas, folhas mortas e algumas preparações naturais, como ácidos húmicos, preparações biodinâmicas e extratos de Aloe são utilizados para estimular o crescimento de fungos e bactéria. Isso no retorno fornece nutrientes para as videiras.

Johnathan explica: “Quando o sistema está em equilíbrio, a videira vai controlar as suas próprias fontes de nutrientes. Quando a videira precisa de nitrogênio para o crescimento, vai secretar açúcares base em suas raízes. Este é o alimento para um certo grupo de fungos e bactérias, o que produz o nitrogênio necessário para a videira. Quando a videira precisa definir a cor de seu fruto, na fase de envero (véraison), a videira precisa de potássio, e não de nitrogênio. A videira secreta então uma fonte de alimento diferente que atrai uma micro flora diferente, que fornece o potássio.”

Outra parte do programa é a aplicação de sólidos do mar, uma ideia do físico americano Dr. Murray Maynard, vista como um caminho natural para re-mineralização do solo. Água do oceano pacífico é retirada da costa oeste da África do Sul e transformada em um líquido mais concentrado para uma ideal solução rica em minerais que é aplicada no solo. Essa solução traz de volta os nutrientes que ao longo dos tempos a erosão do solo levou para o oceano. Colhendo esses elementos minerais e re-aplicando eles no solo, o argumento é que o solo volta ao estado natural.

Os patos se preparando para limpar a vinha das lesmas.

Os problemas são resolvidos com predadores naturais. Um bando de patos controla a população de caracóis, cepas de bacilos naturais são usadas contra vermes e míldio, e uma vespa predatória tem sido muito eficiente para limpar as vinhas da cochonilha. Corujas e gaviões estão tomando parte no controle natural e da biodiversidade em geral. A fim de fazer tudo isso acontecer, 27 tipos de árvores nativas foram plantadas. Essas árvores com floração em diferentes momentos, cada uma atraindo diferentes tipos de aves, estimula a biodiversidade e o retorno dos animais selvagens. Postes altos colocados nos vinhedos oferecem aos gaviões e águias uma boa vista para pegar ratos e ratazanas. As plantas de cobertura nos vinhedos são constituídas por diferentes plantas indígenas, o aromático kooigoed e kouteros, sálvia selvagem, e um aromático alecrim chamado kapokbos ou branca de neve e três outras variedades que ajudam para ligar nitrogênio ao solo. Isso trouxe de volta a vida selvagem para dentro do vinhedo.

Parte disso é também uma vigilância constante. A videira é o melhor indicador da qualidade do solo.

Amostras de folhas das videiras são coletadas para determinar o estado nutricional da videira. Os níveis de pH, condutividade e sólidos solúveis totais, entre outros, são medidos. Dessa forma, eles podem ver como o estado do solo está progredindo e se algum ajuste é necessário.

Um visitante de manhã indo para os vinhedos

Esse método pode ser uma boa solução para vinícolas que não querem – ou não tem condições – de trabalhar com adubo ou compostagem. Por exemplo na Domaine Treloar em Roussillon, Jonathan Hesford está avaliando as melhores maneiras para que os vinhedos fiquem em equilíbrio, mas para ele a escola biodinâmcia não é a escolha certa. Há poucas vacas na região, esterco não é muito disponível, não há veados e mil-folhas, e outros ingredientes biodinâmicos não estão presentes na flora regional. Ele já experimentou com estimulantes de algas, e acredita que o método bio-logico, sem compostos e estercos, vai ser um melhor caminho para ele.

Um outro exemplo de diferentes circunstâncias resultando em diferentes soluções, é a decisão de borrifar ou não a preparação biodinâmica 501. Na Austrália algumas vinícolas acreditam que o que eles menos precisam é mais exposição solar e simplesmente não usam essa solução diluída de sílica. Algumas acreditam ao contrário, e vêem isso como uma essencial parte no conceito total. O certificado de Demeter para viticultura biodinâmica, estipula pelo menos uma aplicação por ano do adubo preparado em chifre de vaca e também a sílica preparada em chifre da vaca, junto com outras preparações biodinâmicas em todo o vinhedo. Não usando o pacote completo de preparações biodinâmicas, impede a possibilidade de receber um certificado – e por exemplo usar isso no marketing – mas algumas viticultores preferem combinar essas práticas com outros soluções naturais que pode pode resultar em um vinhedo saudável.

Adaptar para diferentes condições e desafios com um completamente livre escolha de medidas só pode ser benéfico. O resultado final é que conta, e há muitas maneiras para que o vinhedo possa chegar em um estado de equilíbrio natural.

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